Trocando letras

sábado, 31 de agosto de 2013

Carta por: Autor Desconhecido

Cara Vovó,
                2013 começou mal para todos nós. Nós te perdemos dia 18 de janeiro. Não só sinto falta de você, mas não consigo me acostumar com o fato de não te ver mais. Cada vez que vou para casa do Vovô vou lá fora ver a cadeira onde você sentava,  mesmo sabendo que você não está lá. Mas nunca me sento, é como se eu fosse sentar em cima de você. Aí eu choro por dentro, tentando não chorar por fora, senão Papai e Vovô também o fariam.
                Você foi minha primeira perda; eu não sabia então como era esse sentimento. E eu posso assegurar que não é legal. Eu o descrevo em uma palavra: vazio. Como se alguém tirasse algum órgão seu. Muitas pessoas o comparam com a sensação de estar descendo em alta velocidade em uma montanha russa. Não concordo mais; as montanhas russas param, isso não.  
                Eu me arrependo de não ter te valorizado tanto o quanto você merecia, mas é como você me disse quando eu tinha seis ou sete anos e Papai queria dar uma Barbie que eu não prestava mais atenção, e o dia que ele a deu, eu chorei como uma maluca. Você disse: “Nós nunca valorizamos algo tanto, ate perdê-la.”.  Na época achei estranho, mas agora entendo.
                Você ria por tudo; quando eu te dizia “oi”, você ria. Quando eu te dizia “tchau”, você ria. Mas é esse pequeno momento que eu sinto mais falta, quando nos tínhamos essa conexão. E, quando eu não sabia do que você estava rindo, eu simplesmente ria junto.
                Me lembro muito bem do dia que fui com Papai te ver na fisioterapeuta e você estava andando na piscina sem segurar a borda. Fiquei muito orgulhosa de você, o que é estranho você que deveria ficar orgulhosa de mim.
                No último dia que eu te vi, te dei um “tchau” comum, do tipo que se dá aos amigos na saída da escola. Achava que ia vê-la novamente, mas não. Não sabia que ia ser nosso último “tchau”.
                Não fui ao seu velório e enterro; não me deixaram, e quando Papai e Vovô foram deixar flores no seu túmulo, eu não quis. Por quê? Por que não quero pensar que você está lá embaixo, na terra, mas aqui, comigo, no meu coração.
                Sei que essa carta é provavelmente a mais longa que vou escrever em toda minha vida, ela não será nunca longa o suficiente para dizer o quanto sinto sua falta. Você foi, você é, a minha vó. E jamais conseguirei te esquecer.

Com amor.

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