Trocando letras

domingo, 18 de maio de 2014

A Chama que é a Lucidez

                Seu isqueiro. Sua única salvação. Sua única lucidez. Seu isqueiro, sua chama protetora. Desde que chegara ao hospício, foi o melhor tratamento que lhe acharam. Ela não fumava, nem nunca fumou. A chama, solitária e duradoura, mantinha sua mente acesa, distraída e lúcida, evitando distúrbios mentais muito prováveis. Sempre que se sentia sozinha, ela o acendia. Os médicos finamente acharam uma solução ao caso da viúva perdida.
                Um dia, comum aos outros. Tudo corria estranhamente normal, sem nenhuma irregularidade. Ou seja, a viúva ainda não tinha acordado. Quando o fez, pegou imediatamente o isqueiro; tivera um pesadelo com seu marido. Tentou acendê-lo, tentou, porque o aparelho não liberava o calor irradiante. As míseras faíscas não lhe satisfizeram. Não renderiam ninguém satisfeito. Isso a incomodou; quando o café-da-manhã fora servido, ela não tocou na comida. Não parava de tentar extrair uma chama de seu aparelho.
                “Não está acendendo...” ela não parava de murmurar, como se isso de alguma maneira a ajudasse. Seu tom era de desespero. “Não está acendendo!” gritava agora. Sua raiva com o pequeno objeto que lhe trazia prazer e segurança era borbulhante. Culpava-se, culpava seu marido, culpava a todos, menos ao isqueiro. Jogou sua cama para trás com um movimento brusco e a enfermeira que viera servir-lhe o café saiu com medo.
                A viúva não desistiria. Não assim tão fácil. Ela sentou-se no chão, com as pernas cruzadas e começou a apertar furtivamente o botão que acionava o fogo. As enfermeiras e médicos passavam e ofereciam-lhe outros isqueiros, mas somente aquele em suas mãos a interessava. Os olhos saltando das órbitas, ela se despenteava a cada vez que sua tentativa falhava. Sua pouca lucidez ia se esvaecendo, e uma batalha no interior de sua mente. Pegue outro isqueiro, dizia a pequena parte de seu cérebro que ainda não estava louca. Não, continue tentando. Não recue diante ao um desafio, dizia sua insanidade. É preciso dizer que a viúva louca era extremamente teimosa, e jamais deixaria que lhe dissessem o que deveria fazer.
                Assim passaram-se dias, a moça sem comer, beber ou dormir, só preocupada em acender o isqueiro. Suas mãos já não eram sustentáveis de tão trêmulas e ela vinha definhando e empalidecendo. Parecia um fantasma, um espírito penado. Já não havia forças em suas mãos e em sua sanidade; ela já se entregara há muito tempo à loucura. Seu único objetivo não era manter-se viva, mas sim manter a chama viva.

                Porém, suas mãos fracas e trêmulas largaram o isqueiro e o objeto metálico caiu no chão com um barulho baixo, mas contínuo. Talvez fora por fatiga, talvez fora por desistência, não saberia dizer, mas a moça demorou um tempo antes de pegá-lo de volta. Uns bons três minutos. E quando o pequeno isqueiro retornou às suas mãos, ela caiu deitada no chão frio de azulejo. Fraca e pálida, seu último ato foi tentar acender mais uma vez o isqueiro. Mas dessa vez, para sua felicidade, a chama acendeu. Única, firme e contínua, ela brilhou. A viúva, sabendo que jamais teria essa chance novamente, aproximou o fogo de seu rosto, e sentiu o calor reconfortante. Ele não fazia mais efeito sobre sua insanidade, mas a reconfortou. Ela largou isqueiro, ainda aceso, e depositou-o perto de sua cama. A madeira se consumiu tão rapidamente pelas chamas que ninguém jamais suspeitaria que esse fogaréu  fora produzido por um simples isqueiro. A mulher sorriu e sua visão foi escurecendo, escurecendo e depois clareando, clareando. Ela já não pertencia mais a esse mundo.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Resenha: A Batalha do Labirinto

Biografia do livro

Título: A Batalha do Labirinto
Autor: Rick Riordan
Série a que pertence: Percy Jackson e os Olimpianos
Personagens principais: Percy Jackson, Annabeth Chase e Grover Underwood
Preço em que paguei: Presente de Natal...
Não te adaptação cinematográfica

Enredo

"No labirinto sem fim você deve entrar na escuridão
O morto, o traidor e o desaparecido se erguerão
Pela mão do rei fantasma se erguera ou cairá
O último ato da criança de Atena acontecerá
Com o último suspiro de herói será destruído
Pior que a morte um amor será para sempre lembrado."
O Titã Altlas está de novo em seu lugar e Lady Artémis está salva! Grover está sendo julgado por ter mentido e não encontrado o Deus Pã, e o sátiro só tem uma semana para fazê-lo. Mas agora, Cronos planeja atacar o acampamento diretamente. Ele infiltrou um espião entre os campistas e planeja atacar por baixo. Ou seja, pelo Labirinto de Dédalo. Ele e seu exército procuram algo que Percy, Annabeth e Grover têm que achar antes. Antigos aliados se juntarão para achar o tão precioso objeto e talvez a criança de Atena tão esperada não é a que todos acham...

Gostei porque...

O antigo trio, Pecy, Annie e Grover, se reuniu novamente. Nico, meu personagem favorito, tem um papel grande e importante nesse livro. Esse livro tem um acontecimento que os que shippam (gostam do casal) Percy e Annabeth vão adorar! As aventuras e batalhas vão ficando mais épicas e violentas, dando mais maturidade e emoção nos personagens e no enredo. O que antes era um livro infantil, agora está em uma faixa etária mais infanto-juvenil. Rick Riordan sabe como escrever bem.

Não gostei porque...

O final era meio que prevísivel. Você sabia que o acampamento seria salvo, como sempre. E a batalha nem foi tããão épica assim. Mas mesmo assim, "excedeu expectativas" (entendedores entenderão)